Afinal, quem foi que ungiu os pés de Jesus?
Afinal, quem foi que ungiu os pés de Jesus?
Existe uma confusão que se faz
com respeito à mulher que ungiu os pés de Jesus, com um perfume caríssimo
contido em um frasco de alabastro.
Já ouvi vários sermões onde os
Pastores creditam esses relatos, unificando todas as referencias ao fato como
tendo sido protagonizado por uma ”mulher prostituta”.
Já ouvi outros sermões afirmando
que a protagonista desses relatos bíblicos foi “Maria, a irmã de Lázaro e
Marta”.
A resposta correta é: Nem um, Nem
outro! O que estou querendo dizer é que são casos totalmente independentes um
do outro. Vejamos:
A bíblia diz, em Mt
26.6-13: [MC 14.3-9; Jo 12.1-8]
“6 E aconteceu que estando
Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso, 7
chegou próximo dele uma mulher portando um frasco de alabastro, repleto de
perfume caríssimo, e lhe derramou sobre a cabeça, enquanto ele estava reclinado
à mesa. 8 Diante daquela cena, os discípulos se indignaram e comentaram: “Por
que este desperdício”? 9 Porquanto esse perfume poderia ser
vendido por alto preço e o dinheiro dado aos pobres!” 10
Percebendo isso, Jesus repreendeu-os: “Por que molestais esta mulher? Ela
praticou uma boa ação para comigo. 11 Pois, quanto aos pobres, sempre os
tendes convosco, mas a mim nem sempre me tereis. 12
Ao derramar sobre o meu corpo esse bálsamo, ela o fez como que preparando-me
para o sepultamento.³ 13
Com toda a certeza vos afirmo: Em todos os lugares do mundo, onde este
evangelho for pregado, igualmente será contado o que essa mulher realizou, como
um memorial a ela.”
³ Era costume, no antigo oriente, ungir a cabeça dos
convidados em dias festivos, que praticamente deitavam-se sobre um tipo de
almofada ou divã, ao redor de uma mesa bem mais baixa do que as nossas. Com o
braço esquerdo se apoiavam nas almofadas e com o direito se serviam dos
alimentos. Davi escreveu um poema em louvor a Yahweh (o nome impronunciável de
Deus em hebraico), no qual descreve a felicidade que há na comunhão com Deus
usando a metáfora de uma ceia preparada pelo Senhor (Sl 23.5). Jesus foi visitar alguns amigos em Betânia, uma aldeia
que distava cerca de 3 Km de Jerusalém. O anfitrião, Simão, fora curado de
lepra por Jesus (Mc 14.3).
Lázaro estava
presente, Marta servia, e Maria, irmã de Lázaro e Marta, assume a
responsabilidade da hospitalidade amorosa e reverente (Lc 7.46), mas realiza o ato à sua maneira.
Um escravo
ungiria a cabeça do hóspede do seu SENHOR com óleo e lavaria seus pés com água.
Maria ofereceu a mais preciosa e cara essência de plantas (nardo, palavra persa
nard que em sânscrito naládá significa óleo perfumado) importada da Índia (em
grego Myrón). Marcos (Mc 14.5)
informa que o valor daquele alabastro (frasco de mármore lacrado e com gargalo
longo, o qual era quebrado no instante do uso, e cujo conteúdo devia ser todo
consumido em uma só aplicação, para não perder suas propriedades químicas e
aromáticas) era de 300 denários, o que correspondia ao salário anual de um
trabalhador ou soldado romano (20.2; Jo
6.7). Maria ungiu a cabeça e os pés de Jesus (Mc 14.3-9; Jo 12.1-8) realizando a cerimônia completa de honra e
hospitalidade com a qual os judeus deveriam acolher seus irmãos e amigos, numa
demonstração de temor a Deus, humildade e amor ao próximo, princípios básicos
da Torá (os primeiros cinco livros da bíblia, a Lei de Deus) e dos ensinos de
Jesus (Lc 7.44; Jo 13.1-17).
Considerando que Judas traiu Jesus por cerca de 120 denários, é fácil imaginar
sua irritação ao ver a atitude de Maria em relação unicamente à pessoa de Cristo (Jo 12.4-5). Na época da Páscoa,
era um costume judaico presentear os pobres. Jesus aproveita para esclarecer os
discípulos e amigos quanto à proximidade do seu martírio, salientando que Maria
havia compreendido verdadeiramente quem é Deus, qual o sentido da adoração (que
é consagrar a Deus os nossos mais caros afetos), e que estava cuidando da
preparação (somente os nobres tinham seus corpos embalsamado ou mumificado) do
seu corpo para o sepultamento. Jesus ainda faz uma alusão à Lei e afirma que a ajuda
e o acolhimento aos mais necessitados é tarefa contínua do povo de Deus todos
os dias do ano (Dt 15.11). Jesus
ergue um memorial à Maria, uma pessoa desconhecida na história, mas cujo ato
inspira gerações e gerações em todo o mundo, a ter uma visão correta e prática
do que significa amar a Deus.
A bíblia
diz, em Mc 14.3-9: [Mt 26.6-13; Jo 12.1-8]
“ 3
E estando Jesus em Betânia, reclinado à mesa na casa de certo homem
conhecido como Simão, o leproso, achegou-se dele uma mulher portando um frasco
de alabastro contendo valioso perfume, feito de nardo puro; e, quebrando o
alabastro, derramou todo o bálsamo sobre a cabeça de Jesus. ²
4 Diante disso, indignaram-se
alguns dos presentes, e a criticavam entre si: “Para que esse desperdício de
tão valioso perfume”? 5 um bálsamo como este poderia ser
vendido por 300 denários, e o dinheiro ser doado aos pobres”. E a censuravam severamente. ³
6 “Deixai-a em paz!” –
ordenou-lhes Jesus. “Por que causais problemas a esta mulher? Ela realizou uma
boa ministração para comigo”. 7 Quanto aos pobres, sempre os tendes o
vosso lado, e os podeis ajudar todas as vezes que o desejardes, todavia a mim
nem sempre me tereis. 8 A mulher fez tudo o que estava ao seu
alcance. Derramou o bálsamo sobre mim, antecipando a preparação do meu corpo
para o sepultamento. 4 9
Com toda a certeza Eu vos asseguro: onde quer que o Evangelho for pregado, por
todo o mundo, será também proclamada a obra que esta mulher realizou, e isso
para que ela seja sempre lembrada.”
² A mulher era Maria, irmã de
Marta e Lázaro. No Evangelho de João, este evento ocorreu antes de começar a
Semana da Paixão (Jo 12.1-3). Mateus
e Marcos enfatizam o contraste entre o ódio dos líderes religiosos, a covardia
dos discípulos e a traição de Judas Iscariotes, e o amor, coragem de se expor e
desprendimento material de Maria. O alabastro era um frasco lacrado, de gargalo
longo, que continha valioso perfume, normalmente usado na unção de
personalidades notáveis da época ou no preparo mortuário de monarcas e pessoas
ricas (Sl 23.5; Lc 7.46). Ao narrar
este episódio, Marcos se refere a “alguns dos presentes”, Mateus concentra-se
nos “discípulos” (Mt 26.8) e João
destaca a participação objetiva e comprometedora de “Judas Iscariotes” (Jo 12.4-5).
³ Trezentos denários correspondiam a quase um ano de
trabalho de um soldado romano. Jesus prevê que, até o seu retorno, haverá
muitas pessoas que dependerão da ajuda de seus semelhantes. Jesus sempre teve
um coração compassivo em relação aos pobres (Mt 6.2-4; Lc 4.18; 6.20;14.13.21; 18.22; Jo 13.29).
4 Era costume judaico ungir um corpo com óleos
aromáticos para o sepultamento (16.1).
Entretanto os corpos de pessoas condenadas por crimes não mereciam tal atenção,
cuidado e honra. A “antecipação” de Maria revela que Jesus percebeu que ela
tinha compreendido o propósito da vinda do Cristo (o Messias) ao mundo como
Servo sofredor (Is 53).
A bíblia
diz, em Jo 12.1-8: [Mt 26.6-13; Mc 14.3-9]
“ 1 Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi
para Betânia, onde estava Lázaro, que havia morrido e fora ressuscitado dentre
os mortos. 2 Então, ofereceram-lhe um jantar; Marta servia ¹, enquanto Lázaro era um dos convidados ², sentado a mesa com Jesus.
3 Maria pegou uma libra ³ de bálsamo de nardo puro, um óleo
perfumado muito caro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos. E a
casa encheu-se com a fragrância daquele bálsamo. 4
Mas um de seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, que mais tarde
iria traí-lo objetou: 5 “Por que este bálsamo perfumado não
foi vendido por trezentos denários 4 e dado aos
pobres?” 6 Ele não disse isso por se importar com os pobres, mas porque era
ladrão, sendo responsável pela bolsa de dinheiro 5, frequentemente tirava o que nela estava
depositado. 7 Mas Jesus respondeu: “Deixa-a em paz; pois para o dia da minha
sepultura foi que ela guardou isso. 8 Quanto aos pobres, vós sempre os
tereis convosco, mas a mim vós nem sempre tereis.”
¹
Marta
dedicava-se mais ao serviço e Maria, à adoração (Lc 10.38-42)
² O jantar ou
ceia, celebrava a nova vida de Lázaro, sendo, ele e Jesus, convidados de honra.
³ A libra (em grego litra) equivale a pouco
mais de 300 gramas.
4 Um denário era uma moeda de prata
equivalente a um dia de trabalho braçal.
5 A bolsa (em grego glôssokomon) era
onde se guardava o dinheiro oferecido a Jesus e aos discípulos por pessoas que
queriam ajuda-los (Lc 8.2,3)
As referencias cruzadas: [Mt 26.6-13; Mc
14.3-9; Jo 12.1-8] remetem à Maria, irmã de Marta e Lázaro, e terminam aqui;
A seguir, as referencias que remetem à prostituta: [Lc 7.36-50]
A bíblia
diz, em Lc 7.36-50:
36 “Tendo sido convidado por um dos
fariseus para jantar, Jesus foi à casa dele e reclinou-se, como era o costume,
junto à mesa. 14 37
Assim que tomou conhecimento que Jesus estava reunido à mesa, na casa do
fariseu, certa mulher daquela cidade, uma pecadora, trouxe um frasco de
alabastro cheio de perfume. 38 E, posicionando-se atrás de Jesus,
prostrou-se a seus pés e começou a chorar. Suas lágrimas molharam os pés de
Jesus, mas ela, em seguida os enxugou com os próprios cabelos, beijou-os e os
ungiu com o perfume. 39 Diante de tal cena, o fariseu que o
havia convidado falou consigo mesmo: “Se este homem fora de fato profeta, bem
saberia quem nele está tocando e que espécie de mulher ela é: uma pecadora!” 15 40 Então, voltou-se Jesus para o fariseu e lhe propôs: “Simão, tenho
algo para dizer-te”. Ao que ele aquiesceu : Sim, Mestre dize-me”. 41
Dois homens deviam a um certo credor. Um lhe devia quinhentos denários e o
outro cinquenta. 42
Nenhum dos dois tinha com que pagar, por isso o credor decidiu perdoar a dívida
de ambos. Qual deles o amará mais? 43 Replicou-lhe Simão: Imagino que
aquele a quem foi perdoada a dívida maior”. Ao que Jesus o congratulou:
“Julgaste acertadamente!”. 44 Então virou-se em direção à mulher e
declarou a Simão: “Vê esta mulher? Entrei em tua casa, e não me trouxeste agua
para lavar os pés, como é o costume. Esta, porém, molhou os meus pés com suas
lágrimas e os enxugou com os próprios cabelos. 45
Da mesma maneira, tu não me saudaste com um beijo na face, como é tradicional;
ela, todavia, desde que cheguei não cessa de me beijar os pés. 46
E mais, tu não me ungiste a cabeça com óleo, como era de se esperar, mas esta
mulher, com puro bálsamo, ungiu os meus pés.
47 Por tudo isso, te
asseguro: o grande amor por ela demonstrado prova que seus muitos pecados já
foram todos perdoados. Mas onde há necessidade de pouco perdão, pouco amor é
revelado. 48 Em seguida, Jesus afirmou à mulher: “Perdoados estão todos os
teus pecados!” 49 Então, os demais convidados começaram a comentar: “quem é este
que pode até perdoar pecados?” 50 E Jesus revela à mulher: “A tua fé
te salvou; vai-te em permanente paz. 16
14 Para os judeus, uma refeição
era um convite de alto valor social, representava um selo de amizade e
reconhecimento entre os convidados. Como as mesas eram baixas, e ao redor havia
uma série de divãs e almofadas, os convidados se reclinavam sobre eles, com os
pés pra trás, a fim de degustarem as iguarias que eram trazidas por escravos ou
empregados. Estes, além de servirem a mesa, cuidavam da recepção aos convivas,
que incluía ungir com óleos e perfumes, lavar e enxugar os pés, especialmente
dos mestres da Torá (Lei). Alguns senhores ou patrões. Dispensavam seus criados
da cerimônia de recepção e realizavam
eles próprios, numa atitude de elevada estima e consideração por seus amigos.
Assim, a sala de refeição ficava, em geral, repleta de pessoas. Umas, comendo e
descansando, outras, entrando e saindo para servir aos comensais. É nesse
contexto que uma mulher, desejosa de abandonar sua vida de prostituição e
encontrar a paz, entra na sala em
busca do Senhor, trazendo o melhor que possuía: amor no coração, fé no filho de
Deus, arrependimento, desejo de mudar e adoração (um frasco caríssimo de óleos
aromáticos). Jesus estava reclinado, com os pés estendidos e distantes da mesa
central. A mulher, não querendo se interpor entre Jesus e o fariseu anfitrião,
preferiu, humildemente, ungir os pés de Jesus à sua maneira, mas com especial e
genuína devoção. O frasco era feito de alabastro (uma rocha branca e fácil de
moldar). Uma garrafa globular, com gargalo comprido, contendo unguento (óleo)
perfumado, cujo valor correspondia a cerca de 300 dias de trabalho braçal. O
frasco (vaso) precisava ter seu gargalo quebrado, e usava-se todo o conteúdo
numa única aplicação. Ato semelhante foi realizado por Maria de Betânia, poucos
dias antes de sua crucificação (Jo 12.3)
15 Jesus é realmente o Salvador dos pecadores. A
contradição é quase sempre marcante: para o fariseu, Jesus era um profeta e
deveria agir com o rigor e o legalismo que ele (fariseu) esperava de um
profeta. Para a mulher, prostituta e pecadora, carente de amor, perdão e
consideração, Jesus era Deus encarnado, Senhor de misericórdia e da salvação; o
único que tinha poderes para perdoá-la e purificar sua vida. E Jesus olhou para
a alma daquele ser humano e além do seu pecado, viu uma filha de Deus, uma irmã
e herdeira do seu Reino (Tg 2.1-5).
16 Jesus dá toda a atenção à pobre mulher e a
abençoa com paz. Nos originais, o verbo desta frase está no tempo presente do
indicativo, o que descreve um estado de “constante paz interior com Deus.”
Literalmente: vi para dentro da paz. Os antigos rabinos costumavam dizer: “vai
em paz” para os mortos, e “vai para dentro da paz” aos vivos. È importante
notar, que o amor da mulher não foi a causa da sua salvação, mas sim a
consequência. O fruto de uma vida salva e consagrada ao Senhor. Só a fé em
Jesus nos salva do Diabo, do mundo e de nós mesmos.
A bíblia
diz, em Jo 8.10,11 [ O texto completo está em: Jo 8.3-11]
10 Quando
Jesus se ergueu, não vendo a ninguém mais, além da mulher, disse a ela:
“Mulher, onde estão aqueles teus acusadores?
Ninguém te condenou?” 11 Disse ela: “Ninguém, 9 Senhor.” E assim lhe disse Jesus: “Nem Eu te
condeno; podes ir e não peques mais.”
9 Não houve condenação por
falta de acusadores sem culpa. Como Jesus nunca pecou (8.46), tomou os pecados dela sobre si e a perdoou (Rm 8.1-3)
CONCLUSÃO:
·
Nos Evangelhos de Mateus (Mt 26.6-13) , de Marcos (Mc 14.3-9) e de
João (Jo 12.1-8) estão se referindo a um jantar na casa de Simão, o leproso,
que havia sido curado por Jesus, em homenagem a Lázaro que havia sido
ressuscitado por Jesus.
·
Nos Evangelhos de Lucas (Lc 7.36-50) estão
se referindo a um jantar na casa de Simão o fariseu
Normalmente, essa confusão se dá por conta do nome de Simão, que era um
nome bastante comum na época; Simão, o leproso não é a mesma pessoa que Simão,
o fariseu.
·
No Evangelho de João (Jo 8.3-11) não se
trata de um jantar mas sim de uma mulher adúltera flagrada em adultério,
onde Jesus diz: 7 “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro a
lhe atirar uma pedra.” – consequentemente, não tem ligação com os casos anteriores.
Todo o texto bíblico foi extraído da bíblia de estudos:
Bíblia King James Atualizada,2012. Abba Press. Sociedade Bíblica
Ibero-Americana.
Amo
o Senhor pastor Roberto Mazzei
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